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Extração Mecânica de Óleo Vegetal

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Artigo Técnico: Extração Mecânica de Óleo Vegetal


1. O Que é a Extração Mecânica de Óleo Vegetal

A extração mecânica de óleo vegetal é um processo industrial utilizado para separar o óleo contido em grãos e sementes oleaginosas através da aplicação de pressão física, sem a utilização de solventes químicos.

O processo é amplamente empregado por cooperativas agrícolas, fábricas de ração, agroindústrias, usinas de biodiesel e produtores rurais que desejam agregar valor às matérias-primas produzidas no campo.

Durante a extração mecânica são obtidos dois produtos principais:

  • Óleo vegetal bruto;
  • Torta gorda ou farelo de prensa.

O óleo pode ser destinado à alimentação humana, produção de biodiesel, indústria química, cosméticos e lubrificantes especiais.

A torta gorda é amplamente utilizada na formulação de rações devido ao elevado teor energético proporcionado pelo óleo residual que permanece após a prensagem.

Entre as principais oleaginosas processadas mecanicamente destacam-se:

Diferentemente da extração por solvente, a extração mecânica apresenta menor complexidade operacional, menor investimento inicial e não utiliza produtos inflamáveis, tornando-se uma solução bastante atrativa para plantas de pequeno e médio porte.


2. Por Que Investir em uma Planta de Extração de Óleo?

Antes de projetar uma planta industrial é importante compreender que nem todos os empreendimentos possuem o mesmo objetivo econômico.

Embora o processo produza simultaneamente óleo vegetal e torta gorda, normalmente um desses produtos é o principal responsável pela viabilidade do negócio.

Por esse motivo, o primeiro passo no planejamento de uma unidade de extração é definir qual será o principal produto comercial da operação.

Plantas Focadas na Produção de Óleo

Neste modelo, o óleo vegetal é o principal produto comercial.

A torta gorda é considerada um coproduto que contribui para a rentabilidade da operação.

Esse perfil é comum em:

  • Indústrias de óleos vegetais;
  • Usinas de biodiesel;
  • Empresas químicas;
  • Fabricantes de cosméticos;
  • Empresas de ingredientes alimentícios.

Nessas situações, o objetivo é maximizar a recuperação do óleo contido na matéria-prima.

Quanto menor o teor de óleo residual na torta, maior tende a ser o retorno econômico da operação.

Plantas Focadas na Produção de Torta Gorda

Em muitas situações ocorre exatamente o contrário.

O principal interesse econômico está na produção de torta para alimentação animal.

Esse modelo é muito comum em:

  • Fábricas de ração;
  • Cooperativas agropecuárias;
  • Granjas de aves;
  • Integrações de suínos;
  • Confinamentos bovinos;
  • Fazendas leiteiras.

Nesses casos, o óleo produzido representa uma fonte adicional de receita, enquanto a torta gorda torna-se o principal produto do empreendimento.

Uma torta com maior teor de óleo residual pode inclusive ser desejável, pois apresenta maior valor energético na formulação das dietas animais.

Plantas Comerciais

As plantas comerciais produzem óleo e torta destinados à venda para terceiros.

Normalmente possuem estrutura de armazenagem, expedição e controle de qualidade, operando em regime contínuo para atender mercados regionais ou nacionais.

Plantas de Autoconsumo

As plantas de autoconsumo são instaladas para atender necessidades internas da própria empresa.

O exemplo mais comum é uma fábrica de ração que produz sua própria torta gorda a partir de soja, girassol ou outras oleaginosas.

Nesse modelo, os benefícios incluem:

  • Redução dos custos de alimentação animal;
  • Maior controle da qualidade dos ingredientes;
  • Menor dependência de fornecedores externos;
  • Receita adicional proveniente da comercialização do óleo.

A Primeira Pergunta Antes de Projetar uma Planta

Antes de escolher equipamentos, capacidade produtiva ou tecnologia de processamento, é fundamental responder:

O principal produto será o óleo ou a torta gorda?

A resposta influencia diretamente:

  • O dimensionamento da planta;
  • A seleção dos equipamentos;
  • A escolha entre cozimento ou extrusão;
  • A regulagem das prensas;
  • O teor de óleo residual desejado na torta;
  • A rentabilidade final do empreendimento.

Por esse motivo, não existe uma configuração única para todas as plantas de extração mecânica. Cada projeto deve ser desenvolvido de acordo com seus objetivos produtivos e econômicos.


3. Histórico da Extração Mecânica de Óleo

A obtenção de óleos vegetais por prensagem é uma das atividades industriais mais antigas da humanidade.

Registros históricos indicam que povos da Antiguidade já utilizavam sistemas rudimentares para extração de óleo de oliva, gergelim e outras sementes.

As primeiras tecnologias eram baseadas em:

• Prensas de madeira;

• Sistemas de alavancas;

• Tração animal.

Com a Revolução Industrial surgiram as prensas hidráulicas, que permitiram maiores níveis de pressão e aumento da produtividade.

Apesar disso, o processo ainda ocorria em bateladas, com baixa capacidade de produção.

A grande transformação ocorreu no início do século XX com o desenvolvimento das prensas contínuas do tipo Expeller.

Essas máquinas utilizam uma rosca sem fim que comprime continuamente a matéria-prima dentro de uma gaiola metálica, permitindo a extração contínua do óleo.

A partir da década de 1970, a expansão da agricultura brasileira impulsionou a instalação de centenas de plantas de esmagamento mecânico em cooperativas e agroindústrias.

Atualmente, a tecnologia continua evoluindo através da automação, da extrusão termomecânica e da utilização de sistemas de monitoramento digital.


4. Cozimento ou Extrusão: Qual a Melhor Tecnologia?

Antes da prensagem, a maioria das oleaginosas precisa passar por uma etapa de condicionamento térmico.

Essa etapa tem como objetivos:

• Facilitar a extração do óleo;

• Ajustar a umidade da matéria-prima;

• Melhorar a qualidade da torta;

• Inativar fatores antinutricionais;

• Aumentar a eficiência da prensa.

As duas tecnologias mais utilizadas atualmente são o cozimento tradicional e a extrusão termomecânica.

Cozimento Tradicional

O cozimento consiste no aquecimento gradual da matéria-prima através de vapor.

O material permanece durante vários minutos em equipamentos conhecidos como cozedores, onde ocorre a preparação térmica para a prensagem.

Equipamentos Utilizados

• Cozedores verticais;

• Cozedores horizontais;

• Caldeiras;

• Tubulações de vapor;

• Sistemas de controle de temperatura.

Vantagens do Cozimento

• Tecnologia amplamente consolidada;

• Menor desgaste mecânico;

• Boa uniformidade térmica;

• Excelente desempenho para algodão e diversas sementes oleaginosas.

Limitações do Cozimento

• Necessidade de geração de vapor;

• Maior tempo de processamento;

• Dependência de caldeiras.

Extrusão Termomecânica

A extrusão utiliza pressão, atrito e cisalhamento mecânico para aquecer rapidamente a matéria-prima.

O aquecimento ocorre principalmente pelo trabalho mecânico da rosca dentro do cilindro da extrusora.

Em poucos segundos a temperatura pode atingir níveis suficientes para promover o rompimento celular e a inativação de fatores antinutricionais.

Equipamentos Utilizados

• Extrusoras de rosca simples;

• Extrusoras de dupla rosca;

• Alimentadores dosadores;

• Sistemas de automação.

Vantagens da Extrusão

• Maior eficiência de extração;

• Menor tempo de processamento;

• Excelente desempenho para soja;

• Elevada destruição dos fatores antinutricionais.

Limitações da Extrusão

• Maior consumo elétrico;

• Maior desgaste dos componentes;

• Investimento inicial mais elevado.

Qual Tecnologia Escolher?

Não existe uma tecnologia universalmente superior.

A escolha depende da matéria-prima, da escala de produção e dos objetivos econômicos da planta.

De forma geral:

• Soja costuma apresentar excelentes resultados com extrusão seguida de prensagem;

• Algodão tradicionalmente responde muito bem ao cozimento seguido de prensagem;

• Girassol, canola e amendoim podem utilizar ambas as tecnologias com excelentes resultados.

Nos próximos capítulos veremos como cada oleaginosa responde aos diferentes métodos de processamento.


5. Rendimento da Extração Mecânica por Oleaginosa

O rendimento da extração mecânica varia significativamente conforme a matéria-prima processada.

Algumas oleaginosas apresentam elevado teor de óleo e excelente recuperação mecânica, enquanto outras possuem limitações naturais que reduzem a eficiência do processo.

A tabela a seguir apresenta valores médios industriais para as principais oleaginosas processadas mecanicamente.

Os valores apresentados devem ser considerados referências médias de mercado.

Os resultados reais dependem de diversos fatores:

• Qualidade da matéria-prima;

• Umidade do grão;

• Grau de moagem ou laminação;

• Tecnologia utilizada;

• Regulagem da prensa;

• Nível de desgaste dos componentes.

Nos próximos capítulos serão apresentadas as características específicas de cada oleaginosa, os equipamentos normalmente utilizados e os rendimentos típicos observados em plantas industriais.


6. Extração de Óleo de Soja

Nem todas as oleaginosas respondem da mesma forma ao cozimento ou à extrusão. Algumas apresentam melhor desempenho com condicionamento térmico tradicional, enquanto outras obtêm maior eficiência utilizando extrusoras.

A soja é a principal oleaginosa processada no Brasil e uma das mais importantes do mundo. Além da produção de óleo vegetal, a soja é a principal fonte de proteína utilizada na alimentação animal.

Por apresentar ampla disponibilidade, elevado teor proteico e grande mercado consumidor para seus derivados, a soja tornou-se a matéria-prima mais utilizada nas plantas de extração mecânica instaladas em cooperativas, fábricas de ração, agroindústrias e produtores rurais.

Características da Soja

A composição da soja pode variar conforme a cultivar, região de cultivo e condições climáticas.

Valores médios normalmente encontrados:

• Óleo: 18% a 20%;

• Proteína bruta: 36% a 40%;

• Umidade de armazenamento: 11% a 13%;

• Fibra bruta: 4% a 7%.

Comparada a outras oleaginosas, a soja possui menor teor de óleo, porém apresenta excelente valor nutricional devido à elevada concentração de proteínas.

Processo Recomendado para Soja

“Existem diversas configurações industriais para processamento de soja. As mais comuns utilizam moagem ou laminação seguidas de extrusão ou cozimento, dependendo da capacidade da planta e da qualidade desejada para os produtos finais.”

Atualmente, a tecnologia mais utilizada em plantas mecânicas modernas é:

Limpeza → Laminação → Extrusão → Prensagem → Filtração

A extrusão apresenta vantagens importantes para a soja porque promove simultaneamente:

• Rompimento celular;

• Inativação dos fatores antinutricionais;

• Redução da viscosidade do óleo;

• Aumento da eficiência da prensa.

Em plantas mais antigas ainda é comum encontrar:

Limpeza → Laminação → Cozimento → Prensagem

Embora continue sendo uma tecnologia eficiente, o cozimento vem sendo gradualmente substituído pela extrusão em muitas instalações de pequeno e médio porte.

Recepção e Limpeza da Soja

O processo inicia-se pela recepção dos grãos.

Nessa etapa são removidos:

• Pedras;

• Terra;

• Fragmentos vegetais;

• Materiais metálicos;

• Impurezas diversas.

Equipamentos Utilizados

• Moegas de recepção;

• Elevadores de caneca;

• Peneiras vibratórias;

• Separadores magnéticos;

• Sistemas de aspiração.

A limpeza adequada reduz desgastes prematuros e melhora a eficiência de todo o processo.

Descascamento da Soja

Algumas plantas realizam o descascamento parcial ou total dos grãos.

O objetivo é:

• Reduzir a fibra da torta;

• Aumentar a concentração de proteína;

• Melhorar o valor nutricional do produto final.

O descascamento é mais comum em plantas que atendem mercados de ração premium.

Equipamentos Utilizados

• Descascadores;

• Separadores pneumáticos;

• Classificadores densimétricos.

Laminação ou Moagem da Soja

Após a etapa de limpeza, os grãos precisam ser preparados para o condicionamento térmico e posterior extração do óleo. Essa preparação pode ser realizada por meio da laminação ou da moagem.

Laminação da Soja

A laminação consiste na passagem dos grãos entre rolos lisos de alta pressão, transformando-os em lâminas finas com espessura reduzida.

O principal objetivo é romper parte das células que armazenam óleo, aumentar a área de contato da matéria-prima e facilitar a transferência de calor durante o cozimento ou a extrusão.

A laminação é normalmente utilizada em plantas de maior porte ou em projetos que buscam maximizar a eficiência da extração.

Equipamentos Utilizados

• Laminadores de rolos lisos;

• Alimentadores dosadores;

• Transportadores helicoidais;

• Elevadores de caneca.

Moagem da Soja

A moagem promove a redução do tamanho dos grãos por impacto ou compressão, produzindo partículas menores que facilitam o processamento térmico subsequente.

Em plantas de pequeno e médio porte, a moagem frequentemente substitui a laminação devido ao menor investimento inicial e à simplicidade operacional.

Embora apresente eficiência ligeiramente inferior à laminação em algumas aplicações, a moagem continua sendo amplamente utilizada na indústria de extração mecânica de óleo de soja.

É importante evitar a geração excessiva de finos, pois partículas muito pequenas podem dificultar a filtração do óleo e aumentar o arraste de sólidos durante a prensagem.

Equipamentos Utilizados

• Moinhos de martelos;

• Moinhos de rolos;

• Alimentadores dosadores;

• Transportadores helicoidais;

• Sistemas de exaustão e controle de pó.

Qual Sistema Escolher?

A escolha entre moagem e laminação depende principalmente da capacidade da planta, do investimento disponível e dos objetivos do empreendimento.

De forma geral:

• Plantas de maior porte tendem a utilizar laminação;

• Plantas de pequeno e médio porte frequentemente utilizam moagem;

• Ambas as tecnologias podem produzir excelentes resultados quando corretamente dimensionadas e ajustadas.

Extrusão da Soja

A extrusão é uma das etapas mais importantes do processamento.

Durante a passagem pela extrusora, a soja é submetida simultaneamente a:

• Pressão;

• Atrito;

• Cisalhamento;

• Temperatura elevada.

Esse conjunto de fenômenos provoca o rompimento das estruturas celulares e prepara o material para a prensagem.

Temperaturas típicas:

• 110°C a 135°C.

Tempo de residência:

• Apenas alguns segundos.

Equipamentos Utilizados

• Extrusoras de rosca simples;

• Extrusoras de dupla rosca;

• Sistemas de alimentação;

• Painéis de automação.

Fatores Antinutricionais da Soja

Um dos principais desafios do processamento da soja é a presença de fatores antinutricionais naturais.

Entre os mais importantes destacam-se:

• Inibidores de tripsina;

• Inibidores de quimotripsina;

• Lectinas;

• Compostos alergênicos naturais.

Essas substâncias podem reduzir significativamente a digestibilidade das proteínas quando a soja é fornecida crua aos animais.

Por esse motivo, a soja nunca deve ser utilizada diretamente sem processamento térmico adequado.

Inativação dos Fatores Antinutricionais

O calor gerado durante a extrusão ou o cozimento promove a desnaturação desses compostos.

  • Essa etapa é fundamental para:
  • Melhorar a digestibilidade;
  • Aumentar o ganho de peso animal;
  • Melhorar a conversão alimentar;
  • Garantir segurança nutricional.

Sem esse tratamento térmico, a torta produzida pode apresentar limitações importantes de utilização.

Controle por Atividade Ureásica

A atividade ureásica é o principal indicador utilizado para verificar a eficiência do tratamento térmico da soja.

Embora a urease não seja o fator antinutricional responsável pelos problemas nutricionais, ela serve como indicador indireto da presença dos demais compostos.

Faixas normalmente utilizadas:

  • Acima de 0,20 pH: processamento insuficiente;
  • Entre 0,05 e 0,20 pH: faixa ideal;
  • Abaixo de 0,05 pH: possível superaquecimento.

Riscos do Superaquecimento

O excesso de calor também pode causar problemas.

Temperaturas excessivas podem reduzir a disponibilidade de aminoácidos importantes, especialmente a lisina.

Consequentemente, o valor nutricional da torta pode diminuir.

O objetivo operacional é encontrar o equilíbrio entre:

• Eliminar os fatores antinutricionais;

• Preservar a qualidade proteica.

Prensagem Mecânica

Após a extrusão, o material segue para a prensa expeller.

No interior da prensa ocorre uma compressão progressiva da massa.

O óleo é forçado através das fendas da gaiola metálica enquanto a torta é descarregada na extremidade oposta.

Equipamentos Utilizados

  • Prensas expeller;
  • Motoredutores;
  • Gaiolas de prensagem;
  • Roscas compressoras;
  • Sistemas hidráulicos de ajuste.

Produção de Óleo

O óleo bruto coletado contém pequenas quantidades de sólidos e impurezas.

Por isso normalmente passa por:

  • Decantação;
  • Filtração;
  • Armazenagem.

Equipamentos Utilizados

  • Tanques decantadores;
  • Filtros-prensa;
  • Bombas de transferência;
  • Tanques pulmão.

Produção de Torta Gorda

A torta sai da prensa em alta temperatura e com teor residual de óleo.

Dependendo da regulagem da planta, esse teor normalmente varia entre:

  • 6% e 8%.

A torta pode ser:

  • Resfriada;
  • Moída;
  • Armazenada;
  • Comercializada diretamente.

Equipamentos Utilizados

  • Resfriadores;
  • Moinhos repicadores;
  • Silos de armazenagem.

Rendimentos Típicos da Soja

Para cada tonelada de soja processada, valores típicos encontrados são:

  • Óleo bruto: 120 a 140 kg;
  • Torta gorda: 760 a 800 kg;
  • Eficiência de recuperação: 65% a 70%.

Os resultados variam conforme:

  • Qualidade dos grãos;
  • Tecnologia utilizada;
  • Regulagem da prensa;

• Nível de desgaste dos componentes.

Aplicações do Óleo de Soja

O óleo produzido pode ser utilizado em:

Alimentação humana;

  • Biodiesel;
  • Indústria química;
  • Cosméticos;
  • Lubrificantes vegetais.

Aplicações da Torta Gorda de Soja

A torta gorda possui elevado valor nutricional e energético.

É amplamente utilizada em:

  • Pecuária de leite;
  • Pecuária de corte;
  • Avicultura;
  • Suinocultura;
  • Fábricas de ração.

A combinação entre proteína e óleo residual faz com que seja um ingrediente extremamente valorizado em diversas formulações nutricionais.


7. Extração de Óleo de Girassol

O girassol é uma das oleaginosas mais eficientes para a extração mecânica de óleo. Seu elevado teor de óleo permite excelentes rendimentos industriais, tornando-o uma matéria-prima muito atrativa para plantas de pequeno, médio e grande porte.

Além da elevada produtividade de óleo, o girassol produz uma torta de alto valor nutricional utilizada na alimentação animal.

Características do Girassol

Os valores podem variar conforme a cultivar e o sistema de produção, porém normalmente encontram-se:

  • Óleo: 40% a 48%;
  • Proteína bruta: 15% a 22%;
  • Fibra: 18% a 30% (com casca);
  • Umidade de armazenamento: 8% a 10%.

O elevado teor de óleo é uma das principais razões pelas quais o girassol responde tão bem à prensagem mecânica.

O Papel da Casca no Processamento

Diferentemente da soja, a casca do girassol exerce grande influência na eficiência da extração e na qualidade da torta produzida.

A decisão de remover ou não a casca depende dos objetivos da planta industrial.

Processamento com Casca

É o sistema mais simples e exige menor investimento.

Vantagens:

  • Menor custo de implantação;
  • Menor número de equipamentos;
  • Operação simplificada.

Desvantagens:

  • Maior teor de fibra na torta;
  • Menor teor de proteína;
  • Menor concentração de óleo na massa processada.

Processamento com Descascamento

Em plantas que buscam maior eficiência econômica, é comum remover parcial ou totalmente as cascas.

Vantagens:

  • Maior concentração de óleo;
  • Maior teor proteico da torta;
  • Menor teor de fibra;
  • Melhor valorização comercial dos produtos.

Desvantagens:

  • Maior investimento;
  • Necessidade de equipamentos adicionais;
  • Maior complexidade operacional.

Em plantas destinadas à produção de ingredientes proteicos para alimentação animal, o descascamento parcial ou total do girassol pode elevar significativamente o teor de proteína da torta e reduzir seu teor de fibra, aumentando seu valor comercial.

Equipamentos de Descascamento

  • Descascadores mecânicos;
  • Separadores pneumáticos;
  • Classificadores densimétricos;
  • Sistemas de aspiração.

Processo Recomendado para Girassol

As configurações mais comuns são:

Com Casca

Limpeza → Moagem → Cozimento → Prensagem

Com Descascamento

Limpeza → Descascamento → Moagem ou Laminação → Cozimento → Prensagem

Em algumas plantas modernas também pode ser utilizada a extrusão antes da prensagem.

Limpeza do Girassol

A limpeza é fundamental para evitar danos aos equipamentos.

São removidos:

  • Pedras;
  • Terra;
  • Restos vegetais;
  • Metais;
  • Impurezas diversas.

Equipamentos Utilizados

  • Moegas;
  • Elevadores de caneca;
  • Peneiras vibratórias;
  • Separadores magnéticos;
  • Sistemas de aspiração.

Moagem ou Laminação

Após a limpeza ou descascamento, o material pode seguir para moagem ou laminação.

Moagem

A moagem é a solução mais utilizada.

Os grãos são reduzidos em tamanho para facilitar o condicionamento térmico e a prensagem.

Equipamentos

  • Moinhos de martelos;
  • Moinhos de rolos;
  • Alimentadores dosadores.

Laminação

Em plantas maiores pode ser utilizada a laminação.

A matéria-prima passa por rolos lisos que produzem lâminas finas, aumentando a área de contato e favorecendo a extração.

Equipamentos

  • Laminadores;
  • Alimentadores;
  • Transportadores.

Cozimento do Girassol

O cozimento é a tecnologia mais tradicional para o processamento de girassol.

O aquecimento promove:

  • Redução da viscosidade do óleo;
  • Melhor fluidez durante a prensagem;
  • Coagulação proteica;
  • Melhor rendimento operacional.

Temperaturas normalmente utilizadas:

  • 80°C a 110°C.

Equipamentos Utilizados

  • Cozedores verticais;
  • Cozedores horizontais;
  • Caldeiras;
  • Sistemas de vapor.

Extrusão do Girassol

Embora menos comum que no processamento de soja, a extrusão também pode ser utilizada.

Suas principais vantagens são:

  • Aumento da eficiência da prensa;
  • Maior rompimento celular;
  • Menor tempo de processamento.

A escolha entre cozimento e extrusão normalmente depende da capacidade da planta e da estratégia operacional adotada.

Prensagem Mecânica

Após o condicionamento térmico, a massa segue para a prensa expeller.

O óleo é separado da fase sólida através da compressão progressiva do material.

Equipamentos Utilizados

  • Prensas expeller;
  • Gaiolas de prensagem;
  • Roscas compressoras;
  • Motoredutores.

Produção de Óleo de Girassol

O óleo bruto obtido apresenta excelente qualidade e elevado valor comercial.

Após a prensagem normalmente são realizadas:

  • Decantação;
  • Filtração;
  • Armazenagem.

Equipamentos Utilizados

  • Tanques decantadores;
  • Filtros-prensa;
  • Bombas;
  • Tanques pulmão.

Produção da Torta de Girassol

A torta de girassol é amplamente utilizada na alimentação animal.

Suas características dependem fortemente da presença ou ausência de casca.

Quando o descascamento é realizado, obtém-se uma torta com:

  • Menor teor de fibra;
  • Maior teor de proteína;
  • Maior valor comercial.

Rendimentos Típicos do Girassol

Para cada tonelada de matéria-prima processada, normalmente são obtidos:

  • Óleo bruto: 320 a 380 kg;
  • Torta: 500 a 600 kg;
  • Eficiência de recuperação: 80% a 85%.

Entre todas as oleaginosas processadas mecanicamente, o girassol apresenta um dos melhores desempenhos econômicos.

Aplicações do Óleo de Girassol

O óleo pode ser utilizado em:

  • Alimentação humana;
  • Produção de margarinas;
  • Biodiesel;
  • Cosméticos;
  • Produtos industriais.

Aplicações da Torta de Girassol

A torta é amplamente utilizada em:

  • Bovinocultura de leite;
  • Bovinocultura de corte;
  • Suinocultura;
  • Avicultura;
  • Fábricas de ração.

8. Extração de Óleo de Canola

A canola é uma das principais fontes mundiais de óleo vegetal de alta qualidade. Seu óleo possui excelente aceitação no mercado alimentício devido ao baixo teor de gordura saturada e ao perfil favorável de ácidos graxos.

Além do óleo, a canola produz uma torta proteica amplamente utilizada na alimentação animal.

Características da Canola

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 40% a 44%;
  • Proteína bruta: 20% a 25%;
  • Fibra: 10% a 15%;
  • Umidade de armazenamento: 8% a 10%.

A elevada concentração de óleo favorece a extração mecânica.

Processo Recomendado para Canola

As configurações mais comuns são:

Limpeza → Moagem → Cozimento → Prensagem

ou

Limpeza → Moagem → Extrusão → Prensagem

A escolha depende da capacidade da planta e das características desejadas para os produtos finais.

Limpeza da Canola

Devido ao pequeno tamanho das sementes, a limpeza possui importância ainda maior que em outras oleaginosas.

São removidos:

  • Terra;
  • Poeira;
  • Sementes estranhas;
  • Materiais metálicos.

Equipamentos Utilizados

  • Peneiras;
  • Sistemas de aspiração;
  • Separadores magnéticos.

Moagem da Canola

A moagem rompe a estrutura da semente e facilita a liberação do óleo.

Equipamentos Utilizados

  • Moinhos de martelos;
  • Moinhos de rolos;
  • Dosadores.

Condicionamento Térmico

A canola responde bem tanto ao cozimento quanto à extrusão.

Entretanto, deve-se evitar superaquecimentos excessivos que possam comprometer a qualidade do óleo e das proteínas da torta.

Prensagem Mecânica

Após o condicionamento térmico, a massa segue para a prensa expeller.

Rendimentos Típicos da Canola

  • Óleo bruto: 310 a 350 kg por tonelada;
  • Torta: 540 a 620 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 80% a 83%.

Aplicações do Óleo de Canola

  • Óleo comestível;
  • Margarinas;
  • Biodiesel;
  • Produtos alimentícios.

Aplicações da Torta de Canola

  • Nutrição de bovinos;
  • Nutrição de suínos;
  • Nutrição de aves;
  • Formulação de rações.

9. Extração de Óleo de Amendoim

O amendoim é uma das oleaginosas com maior teor de óleo disponível para extração mecânica.

Seu excelente rendimento faz com que seja uma das matérias-primas mais eficientes para plantas de prensagem.

Características do Amendoim

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 45% a 50%;
  • Proteína bruta: 22% a 30%;
  • Fibra: 5% a 10%;
  • Umidade de armazenamento: 7% a 9%.

Processo Recomendado para Amendoim

A configuração mais utilizada é:

Limpeza → Moagem → Cozimento → Prensagem

Em algumas plantas também é utilizada:

Limpeza → Moagem → Extrusão → Prensagem

Descascamento

Dependendo da qualidade desejada para os produtos finais, pode ser realizado descascamento parcial ou total.

O descascamento reduz a fibra e melhora a qualidade da torta.

Moagem

A moagem é normalmente preferida em relação à laminação devido às características físicas do amendoim.

Cozimento

O cozimento promove:

  • Redução da viscosidade do óleo;
  • Melhor fluidez;
  • Aumento da eficiência da prensa.

Temperaturas típicas:

  • 80°C a 105°C.

Prensagem Mecânica

A elevada concentração de óleo permite excelentes rendimentos durante a prensagem.

Rendimentos Típicos do Amendoim

  • Óleo bruto: 380 a 420 kg por tonelada;
  • Torta: 480 a 560 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 84% a 88%.

Entre as principais oleaginosas comerciais, o amendoim apresenta um dos maiores índices de recuperação mecânica.

Aplicações do Óleo de Amendoim

  • Alimentação humana;
  • Indústria alimentícia;
  • Cosméticos;
  • Produtos especiais.

Aplicações da Torta de Amendoim

  • Bovinocultura;
  • Suinocultura;
  • Avicultura;
  • Formulação de rações de alto valor proteico.

10. Extração de Óleo de Gergelim

O gergelim é uma das oleaginosas mais antigas cultivadas pela humanidade e destaca-se pelo elevado teor de óleo e pela excelente qualidade do produto obtido.

Seu óleo possui alto valor agregado, sendo amplamente utilizado na alimentação humana, indústria de alimentos especiais, cosméticos e produtos naturais.

Características do Gergelim

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 45% a 55%;
  • Proteína bruta: 18% a 25%;
  • Fibra: 5% a 12%;
  • Umidade de armazenamento: 6% a 8%.

O elevado teor de óleo torna o gergelim extremamente atrativo para a prensagem mecânica.

Processo Recomendado para Gergelim

As configurações mais comuns são:

Limpeza → Moagem → Prensagem

ou

Limpeza → Moagem → Cozimento Leve → Prensagem

Em muitos casos, a prensagem direta já apresenta excelentes resultados.

Limpeza

A limpeza remove:

  • Poeira;
  • Areia;
  • Restos vegetais;
  • Materiais metálicos.

Equipamentos Utilizados

  • Peneiras vibratórias;
  • Sistemas de aspiração;
  • Separadores magnéticos.

Moagem

A moagem facilita a ruptura das estruturas celulares e melhora o desempenho da prensa.

Prensagem

Devido ao elevado teor de óleo, o gergelim normalmente apresenta excelente comportamento durante a prensagem mecânica.

Rendimentos Típicos

  • Óleo bruto: 380 a 460 kg por tonelada;
  • Torta: 430 a 520 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 80% a 88%.

Aplicações do Óleo de Gergelim

  • Alimentação humana;
  • Óleos gourmet;
  • Cosméticos;
  • Produtos nutracêuticos.

Aplicações da Torta

  • Alimentação animal;
  • Ingredientes proteicos;
  • Formulações especiais.

11. Extração de Óleo de Linhaça

A linhaça destaca-se pela elevada concentração de ácidos graxos ômega-3, tornando seu óleo altamente valorizado nos mercados alimentício e nutracêutico.

Características da Linhaça

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 35% a 42%;
  • Proteína bruta: 18% a 25%;
  • Fibra: 20% a 30%;
  • Umidade de armazenamento: 8% a 10%.

Processo Recomendado para Linhaça

Limpeza → Moagem → Cozimento Suave → Prensagem

ou

Limpeza → Moagem → Extrusão Leve → Prensagem

A principal preocupação é evitar temperaturas excessivas que possam acelerar a degradação dos ácidos graxos.

Limpeza

Devido ao pequeno tamanho das sementes, a limpeza adequada é essencial.

Equipamentos Utilizados

  • Peneiras;
  • Sistemas de aspiração;
  • Separadores magnéticos.

Moagem

A moagem facilita a liberação do óleo durante a prensagem.

Condicionamento Térmico

O aquecimento deve ser controlado para preservar a qualidade do óleo.

Prensagem

A linhaça apresenta boa resposta à prensagem mecânica quando corretamente preparada.

Rendimentos Típicos

  • Óleo bruto: 260 a 330 kg por tonelada;
  • Torta: 560 a 650 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 75% a 82%.

Aplicações do Óleo de Linhaça

  • Suplementos alimentares;
  • Alimentos funcionais;
  • Indústria química;
  • Tintas e vernizes especiais.

Aplicações da Torta

  • Nutrição animal;
  • Ingredientes funcionais;
  • Formulações proteicas.

12. Extração de Óleo de Algodão

A semente de algodão é uma importante fonte de óleo vegetal e proteína para alimentação animal.

Historicamente, foi uma das primeiras oleaginosas processadas em escala industrial através de sistemas de cozimento e prensagem.

Características da Semente de Algodão

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 18% a 24%;
  • Proteína bruta: 20% a 25%;
  • Fibra: elevada devido à presença de línter e casca;
  • Umidade de armazenamento: 8% a 10%.

Particularidades da Semente de Algodão

A semente de algodão apresenta características bastante diferentes da soja e de outras oleaginosas.

Seu processamento normalmente exige:

  • Remoção parcial ou total do línter;
  • Controle adequado da umidade;
  • Condicionamento térmico eficiente.

Processo Recomendado para Algodão

Entre todas as oleaginosas apresentadas neste artigo, o algodão é uma das que tradicionalmente apresenta melhor desempenho com cozimento.

Fluxo típico:

Limpeza → Deslintamento → Moagem → Cozimento → Prensagem

Por Que o Cozimento Funciona Tão Bem?

O cozimento promove:

  • Melhor coagulação das proteínas;
  • Redução da viscosidade do óleo;
  • Maior fluidez da massa;
  • Melhor comportamento da prensa.

Por esse motivo, mesmo com a evolução das extrusoras, muitas plantas de algodão continuam utilizando cozedores verticais.

Equipamentos Utilizados

  • Deslintadores;
  • Moinhos;
  • Cozedores;
  • Caldeiras;
  • Prensas expeller.

Produção de Óleo de Algodão

O óleo bruto obtido normalmente segue para etapas posteriores de refino devido à presença natural de compostos como o gossipol.

Produção da Torta

A torta de algodão é amplamente utilizada na alimentação animal, especialmente para bovinos.

Rendimentos Típicos

  • Óleo bruto: 120 a 170 kg por tonelada;
  • Torta: 700 a 780 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 65% a 75%.

Aplicações do Óleo

  • Alimentação humana após refino;
  • Biodiesel;
  • Indústria química.

Aplicações da Torta

  • Pecuária leiteira;
  • Pecuária de corte;
  • Formulação de rações.

Deslintamento

O línter é uma fibra curta aderida à semente de algodão após o beneficiamento da pluma.

Sua remoção melhora a fluidez do material, reduz riscos operacionais e aumenta a eficiência das etapas subsequentes de moagem, cozimento e prensagem.

Além disso, o línter removido possui valor comercial próprio e pode ser destinado às indústrias de celulose, papel especial, produtos químicos e explosivos industriais.


13. Extração de Óleo de Mamona

A mamona possui um dos maiores teores de óleo entre as oleaginosas comerciais e é amplamente utilizada na produção de insumos industriais.

Seu óleo apresenta características únicas que o diferenciam de praticamente todos os demais óleos vegetais.

Características da Mamona

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 45% a 50%;
  • Proteína bruta: 20% a 25%;
  • Fibra: 10% a 15%;
  • Umidade de armazenamento: 8% a 10%.

Processo Recomendado

Limpeza → Moagem → Cozimento → Prensagem

A mamona responde muito bem ao condicionamento térmico antes da prensagem.

Cuidados com a Ricina

A principal particularidade da mamona é a presença da ricina.

A ricina é uma proteína tóxica naturalmente presente na torta e exige cuidados específicos de manuseio e processamento.

Por esse motivo, a destinação da torta deve seguir critérios técnicos adequados.

Equipamentos Utilizados

  • Peneiras;
  • Moinhos;
  • Cozedores;
  • Prensas expeller;
  • Sistemas de exaustão.

Produção de Óleo de Mamona

O óleo de mamona possui características únicas devido ao elevado teor de ácido ricinoleico.

Por essa razão, encontra aplicações em diversos segmentos industriais.

Rendimentos Típicos

  • Óleo bruto: 350 a 420 kg por tonelada;
  • Torta: 450 a 550 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 78% a 85%.

Aplicações do Óleo de Mamona

  • Lubrificantes especiais;
  • Cosméticos;
  • Produtos químicos;
  • Polímeros;
  • Indústria farmacêutica.

Aplicações da Torta

A utilização da torta exige avaliação técnica específica devido à presença de compostos tóxicos naturais.

Em muitos casos, sua principal aplicação ocorre como fertilizante orgânico.

Diferentemente das demais oleaginosas apresentadas neste artigo, a torta de mamona normalmente não é utilizada diretamente na alimentação animal devido à presença de ricina e outros compostos tóxicos.


14. Equipamentos de uma Planta Completa de Extração Mecânica

Embora existam diversas configurações possíveis, uma planta completa normalmente é composta pelos seguintes setores:

Recepção e Armazenagem

  • Moegas;
  • Elevadores de caneca;
  • Transportadores;
  • Silos.

Limpeza

  • Peneiras vibratórias;
  • Sistemas de aspiração;
  • Separadores magnéticos.

Preparação da Matéria-Prima

  • Moinhos;
  • Laminadores;
  • Descascadores;
  • Deslintadores.

Condicionamento Térmico

  • Cozedores;
  • Extrusoras;
  • Caldeiras;
  • Sistemas de vapor.

Extração

  • Prensas expeller;
  • Motoredutores;
  • Sistemas hidráulicos.

Processamento do Óleo

  • Tanques decantadores;
  • Filtros-prensa;
  • Bombas;
  • Tanques pulmão.

Processamento da Torta

  • Resfriadores;
  • Moinhos repicadores;
  • Silos de armazenagem.

A configuração definitiva depende da matéria-prima processada, capacidade desejada e objetivos econômicos da planta.

Recepção

Limpeza

Moagem ou Laminação

Cozimento ou Extrusão

Prensagem

┌──────────────┬──────────────┐
↓ ↓
Óleo Bruto Torta Gorda
↓ ↓
Filtração Resfriamento
↓ ↓
Tanques Armazenagem


15. Controle de Qualidade na Extração Mecânica de Óleo Vegetal

A qualidade dos produtos obtidos na extração mecânica depende diretamente da matéria-prima utilizada e do controle operacional da planta.

Pequenas variações na umidade dos grãos, temperatura de processamento ou regulagem da prensa podem impactar significativamente a qualidade final do óleo e da torta.

Por esse motivo, plantas industriais modernas realizam monitoramento constante dos principais parâmetros físico-químicos.


Controle de Qualidade do Óleo

Após a prensagem, o óleo bruto contém pequenas quantidades de partículas sólidas, água e compostos naturais da matéria-prima.

Os principais parâmetros analisados são:

Acidez Livre

Expressa normalmente em percentual de ácido oleico.

Valores elevados podem indicar:

  • Matéria-prima deteriorada;
  • Excesso de umidade;
  • Armazenamento inadequado;
  • Processamento inadequado.

Quanto maior a acidez, maiores tendem a ser as perdas durante o refino.

Índice de Peróxidos

Avalia o grau de oxidação inicial do óleo.

Valores elevados podem indicar:

  • Exposição ao oxigênio;
  • Temperaturas excessivas;
  • Armazenamento inadequado.

Umidade e Voláteis

A presença de água reduz a estabilidade do produto.

Óleos adequadamente filtrados normalmente apresentam baixos teores de umidade.

Impurezas Insolúveis

Representam partículas sólidas remanescentes após a filtração.

A presença excessiva de sólidos reduz a qualidade comercial do produto e acelera processos de degradação.


Controle de Qualidade da Torta Gorda

A torta é um dos principais produtos econômicos das plantas de extração mecânica.

Seu valor depende de diversos fatores.

Teor de Proteína

Quanto maior a concentração de proteína, maior tende a ser o valor comercial.

Teor de Óleo Residual

O teor de óleo residual influencia diretamente o valor energético da torta.

Dependendo da estratégia da planta, esse valor pode variar normalmente entre:

  • 6% e 14%.

Umidade

Umidade elevada reduz a estabilidade do produto e aumenta riscos de deterioração.

Granulometria

A uniformidade das partículas facilita transporte, armazenamento e utilização em formulações de ração.


Controle de Atividade Ureásica na Soja

No caso da soja, a atividade ureásica merece atenção especial.

Ela é utilizada como indicador indireto da eficiência do tratamento térmico.

Faixas normalmente utilizadas:

Atividade UreásicaInterpretação
Acima de 0,20 pHProcessamento insuficiente
0,05 a 0,20 pHFaixa adequada
Abaixo de 0,05 pHPossível superaquecimento

O objetivo é eliminar os fatores antinutricionais sem comprometer a qualidade das proteínas.


16. Consumo de Energia e Utilidades

O consumo energético é um dos fatores mais importantes na análise de viabilidade econômica de uma planta.

Os valores variam conforme:

  • Matéria-prima;
  • Tecnologia utilizada;
  • Capacidade da planta;
  • Nível de automação.

Consumo Elétrico

Uma planta de extração mecânica normalmente consome entre:

45 e 70 kWh por tonelada processada

Distribuição típica:

A prensagem normalmente representa a maior parcela do consumo elétrico da planta.


Consumo de Vapor

Quando a planta utiliza cozimento tradicional, torna-se necessária a geração de vapor.

Valores típicos:

50 a 70 kg de vapor por tonelada processada

A necessidade exata depende da matéria-prima e da tecnologia empregada.


Consumo de Água

O consumo de água é relativamente baixo em plantas mecânicas.

A maior parte da utilização ocorre em:

  • Caldeiras;
  • Limpeza industrial;
  • Sistemas auxiliares.

Ar Comprimido

Normalmente utilizado em:

  • Válvulas pneumáticas;
  • Sistemas de automação;
  • Instrumentação.

17. Balanço de Massa do Processo

O balanço de massa permite estimar os produtos obtidos a partir da matéria-prima processada.

Tomando como exemplo uma tonelada de soja comercial:

Entrada

  • 1.000 kg de soja.

Saídas Típicas

  • 120 a 140 kg de óleo bruto;
  • 760 a 800 kg de torta gorda;
  • Impurezas removidas na limpeza;
  • Água evaporada durante o processamento.

O balanço real depende da qualidade da matéria-prima e da eficiência operacional da planta.


18. Escala Industrial e Viabilidade Econômica

A extração mecânica pode ser economicamente viável em diferentes escalas.

Pequenas Plantas

Capacidade típica:

  • 0,5 a 2 toneladas por hora.

Normalmente utilizadas por:

  • Produtores rurais;
  • Pequenas cooperativas;
  • Fábricas de ração.

Plantas Médias

Capacidade típica:

  • 2 a 10 toneladas por hora.

Utilizadas por:

  • Cooperativas;
  • Agroindústrias;
  • Empresas regionais.

Grandes Plantas

Capacidade típica:

  • 10 a 15 toneladas por hora por linha.

Acima desse porte, muitas empresas começam a avaliar tecnologias complementares, incluindo extração por solvente.


Quantas Plantas Existem no Brasil?

Embora não exista um cadastro nacional específico para extração mecânica, estima-se que existam centenas de plantas operando no país.

Grande parte está concentrada nas regiões:

  • Sul;
  • Centro-Oeste;
  • Sudeste.

Os principais usuários são:

  • Cooperativas;
  • Fábricas de ração;
  • Agroindústrias;
  • Produtores de biodiesel.

19. Segurança Industrial e NR-12

A operação de plantas de extração de óleo envolve equipamentos rotativos, altas temperaturas e sistemas de elevada potência.

Por esse motivo, a adequação às normas de segurança é fundamental.


Principais Riscos Operacionais

  • Partes móveis rotativas;
  • Correias e polias;
  • Roscas transportadoras;
  • Superfícies aquecidas;
  • Sistemas de vapor;
  • Equipamentos sob pressão.

Medidas de Segurança

  • Proteções mecânicas fixas;
  • Chaves de intertravamento;
  • Botões de emergência;
  • Isolamento térmico;
  • Procedimentos de bloqueio e etiquetagem.

NR-12

A NR-12 estabelece requisitos mínimos para:

  • Instalação;
  • Operação;
  • Manutenção;
  • Segurança de máquinas e equipamentos.

O atendimento à norma reduz riscos operacionais e aumenta a confiabilidade da planta.


Considerações Finais

A extração mecânica de óleo vegetal continua sendo uma das tecnologias mais importantes para agregação de valor às oleaginosas.

Sua simplicidade operacional, menor investimento inicial e ausência de solventes químicos tornam o processo especialmente atrativo para cooperativas, fábricas de ração, agroindústrias e produtores rurais.

A escolha correta da matéria-prima, da tecnologia de condicionamento térmico e da configuração da planta influencia diretamente a rentabilidade do empreendimento.

Além da produção de óleo vegetal, a obtenção de torta gorda de elevado valor nutricional cria oportunidades adicionais de receita e integração com sistemas de produção animal.

Por esse motivo, a extração mecânica permanece como uma alternativa estratégica para diversos segmentos do agronegócio brasileiro.


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Artigo Técnico: Extração Mecânica de Óleo Vegetal


1. O Que é a Extração Mecânica de Óleo Vegetal

A extração mecânica de óleo vegetal é um processo industrial utilizado para separar o óleo contido em grãos e sementes oleaginosas através da aplicação de pressão física, sem a utilização de solventes químicos.

O processo é amplamente empregado por cooperativas agrícolas, fábricas de ração, agroindústrias, usinas de biodiesel e produtores rurais que desejam agregar valor às matérias-primas produzidas no campo.

Durante a extração mecânica são obtidos dois produtos principais:

  • Óleo vegetal bruto;
  • Torta gorda ou farelo de prensa.

O óleo pode ser destinado à alimentação humana, produção de biodiesel, indústria química, cosméticos e lubrificantes especiais.

A torta gorda é amplamente utilizada na formulação de rações devido ao elevado teor energético proporcionado pelo óleo residual que permanece após a prensagem.

Entre as principais oleaginosas processadas mecanicamente destacam-se:

Diferentemente da extração por solvente, a extração mecânica apresenta menor complexidade operacional, menor investimento inicial e não utiliza produtos inflamáveis, tornando-se uma solução bastante atrativa para plantas de pequeno e médio porte.


2. Por Que Investir em uma Planta de Extração de Óleo?

Antes de projetar uma planta industrial é importante compreender que nem todos os empreendimentos possuem o mesmo objetivo econômico.

Embora o processo produza simultaneamente óleo vegetal e torta gorda, normalmente um desses produtos é o principal responsável pela viabilidade do negócio.

Por esse motivo, o primeiro passo no planejamento de uma unidade de extração é definir qual será o principal produto comercial da operação.

Plantas Focadas na Produção de Óleo

Neste modelo, o óleo vegetal é o principal produto comercial.

A torta gorda é considerada um coproduto que contribui para a rentabilidade da operação.

Esse perfil é comum em:

  • Indústrias de óleos vegetais;
  • Usinas de biodiesel;
  • Empresas químicas;
  • Fabricantes de cosméticos;
  • Empresas de ingredientes alimentícios.

Nessas situações, o objetivo é maximizar a recuperação do óleo contido na matéria-prima.

Quanto menor o teor de óleo residual na torta, maior tende a ser o retorno econômico da operação.

Plantas Focadas na Produção de Torta Gorda

Em muitas situações ocorre exatamente o contrário.

O principal interesse econômico está na produção de torta para alimentação animal.

Esse modelo é muito comum em:

  • Fábricas de ração;
  • Cooperativas agropecuárias;
  • Granjas de aves;
  • Integrações de suínos;
  • Confinamentos bovinos;
  • Fazendas leiteiras.

Nesses casos, o óleo produzido representa uma fonte adicional de receita, enquanto a torta gorda torna-se o principal produto do empreendimento.

Uma torta com maior teor de óleo residual pode inclusive ser desejável, pois apresenta maior valor energético na formulação das dietas animais.

Plantas Comerciais

As plantas comerciais produzem óleo e torta destinados à venda para terceiros.

Normalmente possuem estrutura de armazenagem, expedição e controle de qualidade, operando em regime contínuo para atender mercados regionais ou nacionais.

Plantas de Autoconsumo

As plantas de autoconsumo são instaladas para atender necessidades internas da própria empresa.

O exemplo mais comum é uma fábrica de ração que produz sua própria torta gorda a partir de soja, girassol ou outras oleaginosas.

Nesse modelo, os benefícios incluem:

  • Redução dos custos de alimentação animal;
  • Maior controle da qualidade dos ingredientes;
  • Menor dependência de fornecedores externos;
  • Receita adicional proveniente da comercialização do óleo.

A Primeira Pergunta Antes de Projetar uma Planta

Antes de escolher equipamentos, capacidade produtiva ou tecnologia de processamento, é fundamental responder:

O principal produto será o óleo ou a torta gorda?

A resposta influencia diretamente:

  • O dimensionamento da planta;
  • A seleção dos equipamentos;
  • A escolha entre cozimento ou extrusão;
  • A regulagem das prensas;
  • O teor de óleo residual desejado na torta;
  • A rentabilidade final do empreendimento.

Por esse motivo, não existe uma configuração única para todas as plantas de extração mecânica. Cada projeto deve ser desenvolvido de acordo com seus objetivos produtivos e econômicos.


3. Histórico da Extração Mecânica de Óleo

A obtenção de óleos vegetais por prensagem é uma das atividades industriais mais antigas da humanidade.

Registros históricos indicam que povos da Antiguidade já utilizavam sistemas rudimentares para extração de óleo de oliva, gergelim e outras sementes.

As primeiras tecnologias eram baseadas em:

• Prensas de madeira;

• Sistemas de alavancas;

• Tração animal.

Com a Revolução Industrial surgiram as prensas hidráulicas, que permitiram maiores níveis de pressão e aumento da produtividade.

Apesar disso, o processo ainda ocorria em bateladas, com baixa capacidade de produção.

A grande transformação ocorreu no início do século XX com o desenvolvimento das prensas contínuas do tipo Expeller.

Essas máquinas utilizam uma rosca sem fim que comprime continuamente a matéria-prima dentro de uma gaiola metálica, permitindo a extração contínua do óleo.

A partir da década de 1970, a expansão da agricultura brasileira impulsionou a instalação de centenas de plantas de esmagamento mecânico em cooperativas e agroindústrias.

Atualmente, a tecnologia continua evoluindo através da automação, da extrusão termomecânica e da utilização de sistemas de monitoramento digital.


4. Cozimento ou Extrusão: Qual a Melhor Tecnologia?

Antes da prensagem, a maioria das oleaginosas precisa passar por uma etapa de condicionamento térmico.

Essa etapa tem como objetivos:

• Facilitar a extração do óleo;

• Ajustar a umidade da matéria-prima;

• Melhorar a qualidade da torta;

• Inativar fatores antinutricionais;

• Aumentar a eficiência da prensa.

As duas tecnologias mais utilizadas atualmente são o cozimento tradicional e a extrusão termomecânica.

Cozimento Tradicional

O cozimento consiste no aquecimento gradual da matéria-prima através de vapor.

O material permanece durante vários minutos em equipamentos conhecidos como cozedores, onde ocorre a preparação térmica para a prensagem.

Equipamentos Utilizados

• Cozedores verticais;

• Cozedores horizontais;

• Caldeiras;

• Tubulações de vapor;

• Sistemas de controle de temperatura.

Vantagens do Cozimento

• Tecnologia amplamente consolidada;

• Menor desgaste mecânico;

• Boa uniformidade térmica;

• Excelente desempenho para algodão e diversas sementes oleaginosas.

Limitações do Cozimento

• Necessidade de geração de vapor;

• Maior tempo de processamento;

• Dependência de caldeiras.

Extrusão Termomecânica

A extrusão utiliza pressão, atrito e cisalhamento mecânico para aquecer rapidamente a matéria-prima.

O aquecimento ocorre principalmente pelo trabalho mecânico da rosca dentro do cilindro da extrusora.

Em poucos segundos a temperatura pode atingir níveis suficientes para promover o rompimento celular e a inativação de fatores antinutricionais.

Equipamentos Utilizados

• Extrusoras de rosca simples;

• Extrusoras de dupla rosca;

• Alimentadores dosadores;

• Sistemas de automação.

Vantagens da Extrusão

• Maior eficiência de extração;

• Menor tempo de processamento;

• Excelente desempenho para soja;

• Elevada destruição dos fatores antinutricionais.

Limitações da Extrusão

• Maior consumo elétrico;

• Maior desgaste dos componentes;

• Investimento inicial mais elevado.

Qual Tecnologia Escolher?

Não existe uma tecnologia universalmente superior.

A escolha depende da matéria-prima, da escala de produção e dos objetivos econômicos da planta.

De forma geral:

• Soja costuma apresentar excelentes resultados com extrusão seguida de prensagem;

• Algodão tradicionalmente responde muito bem ao cozimento seguido de prensagem;

• Girassol, canola e amendoim podem utilizar ambas as tecnologias com excelentes resultados.

Nos próximos capítulos veremos como cada oleaginosa responde aos diferentes métodos de processamento.


5. Rendimento da Extração Mecânica por Oleaginosa

O rendimento da extração mecânica varia significativamente conforme a matéria-prima processada.

Algumas oleaginosas apresentam elevado teor de óleo e excelente recuperação mecânica, enquanto outras possuem limitações naturais que reduzem a eficiência do processo.

A tabela a seguir apresenta valores médios industriais para as principais oleaginosas processadas mecanicamente.

Os valores apresentados devem ser considerados referências médias de mercado.

Os resultados reais dependem de diversos fatores:

• Qualidade da matéria-prima;

• Umidade do grão;

• Grau de moagem ou laminação;

• Tecnologia utilizada;

• Regulagem da prensa;

• Nível de desgaste dos componentes.

Nos próximos capítulos serão apresentadas as características específicas de cada oleaginosa, os equipamentos normalmente utilizados e os rendimentos típicos observados em plantas industriais.


6. Extração de Óleo de Soja

Nem todas as oleaginosas respondem da mesma forma ao cozimento ou à extrusão. Algumas apresentam melhor desempenho com condicionamento térmico tradicional, enquanto outras obtêm maior eficiência utilizando extrusoras.

A soja é a principal oleaginosa processada no Brasil e uma das mais importantes do mundo. Além da produção de óleo vegetal, a soja é a principal fonte de proteína utilizada na alimentação animal.

Por apresentar ampla disponibilidade, elevado teor proteico e grande mercado consumidor para seus derivados, a soja tornou-se a matéria-prima mais utilizada nas plantas de extração mecânica instaladas em cooperativas, fábricas de ração, agroindústrias e produtores rurais.

Características da Soja

A composição da soja pode variar conforme a cultivar, região de cultivo e condições climáticas.

Valores médios normalmente encontrados:

• Óleo: 18% a 20%;

• Proteína bruta: 36% a 40%;

• Umidade de armazenamento: 11% a 13%;

• Fibra bruta: 4% a 7%.

Comparada a outras oleaginosas, a soja possui menor teor de óleo, porém apresenta excelente valor nutricional devido à elevada concentração de proteínas.

Processo Recomendado para Soja

“Existem diversas configurações industriais para processamento de soja. As mais comuns utilizam moagem ou laminação seguidas de extrusão ou cozimento, dependendo da capacidade da planta e da qualidade desejada para os produtos finais.”

Atualmente, a tecnologia mais utilizada em plantas mecânicas modernas é:

Limpeza → Laminação → Extrusão → Prensagem → Filtração

A extrusão apresenta vantagens importantes para a soja porque promove simultaneamente:

• Rompimento celular;

• Inativação dos fatores antinutricionais;

• Redução da viscosidade do óleo;

• Aumento da eficiência da prensa.

Em plantas mais antigas ainda é comum encontrar:

Limpeza → Laminação → Cozimento → Prensagem

Embora continue sendo uma tecnologia eficiente, o cozimento vem sendo gradualmente substituído pela extrusão em muitas instalações de pequeno e médio porte.

Recepção e Limpeza da Soja

O processo inicia-se pela recepção dos grãos.

Nessa etapa são removidos:

• Pedras;

• Terra;

• Fragmentos vegetais;

• Materiais metálicos;

• Impurezas diversas.

Equipamentos Utilizados

• Moegas de recepção;

• Elevadores de caneca;

• Peneiras vibratórias;

• Separadores magnéticos;

• Sistemas de aspiração.

A limpeza adequada reduz desgastes prematuros e melhora a eficiência de todo o processo.

Descascamento da Soja

Algumas plantas realizam o descascamento parcial ou total dos grãos.

O objetivo é:

• Reduzir a fibra da torta;

• Aumentar a concentração de proteína;

• Melhorar o valor nutricional do produto final.

O descascamento é mais comum em plantas que atendem mercados de ração premium.

Equipamentos Utilizados

• Descascadores;

• Separadores pneumáticos;

• Classificadores densimétricos.

Laminação ou Moagem da Soja

Após a etapa de limpeza, os grãos precisam ser preparados para o condicionamento térmico e posterior extração do óleo. Essa preparação pode ser realizada por meio da laminação ou da moagem.

Laminação da Soja

A laminação consiste na passagem dos grãos entre rolos lisos de alta pressão, transformando-os em lâminas finas com espessura reduzida.

O principal objetivo é romper parte das células que armazenam óleo, aumentar a área de contato da matéria-prima e facilitar a transferência de calor durante o cozimento ou a extrusão.

A laminação é normalmente utilizada em plantas de maior porte ou em projetos que buscam maximizar a eficiência da extração.

Equipamentos Utilizados

• Laminadores de rolos lisos;

• Alimentadores dosadores;

• Transportadores helicoidais;

• Elevadores de caneca.

Moagem da Soja

A moagem promove a redução do tamanho dos grãos por impacto ou compressão, produzindo partículas menores que facilitam o processamento térmico subsequente.

Em plantas de pequeno e médio porte, a moagem frequentemente substitui a laminação devido ao menor investimento inicial e à simplicidade operacional.

Embora apresente eficiência ligeiramente inferior à laminação em algumas aplicações, a moagem continua sendo amplamente utilizada na indústria de extração mecânica de óleo de soja.

É importante evitar a geração excessiva de finos, pois partículas muito pequenas podem dificultar a filtração do óleo e aumentar o arraste de sólidos durante a prensagem.

Equipamentos Utilizados

• Moinhos de martelos;

• Moinhos de rolos;

• Alimentadores dosadores;

• Transportadores helicoidais;

• Sistemas de exaustão e controle de pó.

Qual Sistema Escolher?

A escolha entre moagem e laminação depende principalmente da capacidade da planta, do investimento disponível e dos objetivos do empreendimento.

De forma geral:

• Plantas de maior porte tendem a utilizar laminação;

• Plantas de pequeno e médio porte frequentemente utilizam moagem;

• Ambas as tecnologias podem produzir excelentes resultados quando corretamente dimensionadas e ajustadas.

Extrusão da Soja

A extrusão é uma das etapas mais importantes do processamento.

Durante a passagem pela extrusora, a soja é submetida simultaneamente a:

• Pressão;

• Atrito;

• Cisalhamento;

• Temperatura elevada.

Esse conjunto de fenômenos provoca o rompimento das estruturas celulares e prepara o material para a prensagem.

Temperaturas típicas:

• 110°C a 135°C.

Tempo de residência:

• Apenas alguns segundos.

Equipamentos Utilizados

• Extrusoras de rosca simples;

• Extrusoras de dupla rosca;

• Sistemas de alimentação;

• Painéis de automação.

Fatores Antinutricionais da Soja

Um dos principais desafios do processamento da soja é a presença de fatores antinutricionais naturais.

Entre os mais importantes destacam-se:

• Inibidores de tripsina;

• Inibidores de quimotripsina;

• Lectinas;

• Compostos alergênicos naturais.

Essas substâncias podem reduzir significativamente a digestibilidade das proteínas quando a soja é fornecida crua aos animais.

Por esse motivo, a soja nunca deve ser utilizada diretamente sem processamento térmico adequado.

Inativação dos Fatores Antinutricionais

O calor gerado durante a extrusão ou o cozimento promove a desnaturação desses compostos.

  • Essa etapa é fundamental para:
  • Melhorar a digestibilidade;
  • Aumentar o ganho de peso animal;
  • Melhorar a conversão alimentar;
  • Garantir segurança nutricional.

Sem esse tratamento térmico, a torta produzida pode apresentar limitações importantes de utilização.

Controle por Atividade Ureásica

A atividade ureásica é o principal indicador utilizado para verificar a eficiência do tratamento térmico da soja.

Embora a urease não seja o fator antinutricional responsável pelos problemas nutricionais, ela serve como indicador indireto da presença dos demais compostos.

Faixas normalmente utilizadas:

  • Acima de 0,20 pH: processamento insuficiente;
  • Entre 0,05 e 0,20 pH: faixa ideal;
  • Abaixo de 0,05 pH: possível superaquecimento.

Riscos do Superaquecimento

O excesso de calor também pode causar problemas.

Temperaturas excessivas podem reduzir a disponibilidade de aminoácidos importantes, especialmente a lisina.

Consequentemente, o valor nutricional da torta pode diminuir.

O objetivo operacional é encontrar o equilíbrio entre:

• Eliminar os fatores antinutricionais;

• Preservar a qualidade proteica.

Prensagem Mecânica

Após a extrusão, o material segue para a prensa expeller.

No interior da prensa ocorre uma compressão progressiva da massa.

O óleo é forçado através das fendas da gaiola metálica enquanto a torta é descarregada na extremidade oposta.

Equipamentos Utilizados

  • Prensas expeller;
  • Motoredutores;
  • Gaiolas de prensagem;
  • Roscas compressoras;
  • Sistemas hidráulicos de ajuste.

Produção de Óleo

O óleo bruto coletado contém pequenas quantidades de sólidos e impurezas.

Por isso normalmente passa por:

  • Decantação;
  • Filtração;
  • Armazenagem.

Equipamentos Utilizados

  • Tanques decantadores;
  • Filtros-prensa;
  • Bombas de transferência;
  • Tanques pulmão.

Produção de Torta Gorda

A torta sai da prensa em alta temperatura e com teor residual de óleo.

Dependendo da regulagem da planta, esse teor normalmente varia entre:

  • 6% e 8%.

A torta pode ser:

  • Resfriada;
  • Moída;
  • Armazenada;
  • Comercializada diretamente.

Equipamentos Utilizados

  • Resfriadores;
  • Moinhos repicadores;
  • Silos de armazenagem.

Rendimentos Típicos da Soja

Para cada tonelada de soja processada, valores típicos encontrados são:

  • Óleo bruto: 120 a 140 kg;
  • Torta gorda: 760 a 800 kg;
  • Eficiência de recuperação: 65% a 70%.

Os resultados variam conforme:

  • Qualidade dos grãos;
  • Tecnologia utilizada;
  • Regulagem da prensa;

• Nível de desgaste dos componentes.

Aplicações do Óleo de Soja

O óleo produzido pode ser utilizado em:

Alimentação humana;

  • Biodiesel;
  • Indústria química;
  • Cosméticos;
  • Lubrificantes vegetais.

Aplicações da Torta Gorda de Soja

A torta gorda possui elevado valor nutricional e energético.

É amplamente utilizada em:

  • Pecuária de leite;
  • Pecuária de corte;
  • Avicultura;
  • Suinocultura;
  • Fábricas de ração.

A combinação entre proteína e óleo residual faz com que seja um ingrediente extremamente valorizado em diversas formulações nutricionais.


7. Extração de Óleo de Girassol

O girassol é uma das oleaginosas mais eficientes para a extração mecânica de óleo. Seu elevado teor de óleo permite excelentes rendimentos industriais, tornando-o uma matéria-prima muito atrativa para plantas de pequeno, médio e grande porte.

Além da elevada produtividade de óleo, o girassol produz uma torta de alto valor nutricional utilizada na alimentação animal.

Características do Girassol

Os valores podem variar conforme a cultivar e o sistema de produção, porém normalmente encontram-se:

  • Óleo: 40% a 48%;
  • Proteína bruta: 15% a 22%;
  • Fibra: 18% a 30% (com casca);
  • Umidade de armazenamento: 8% a 10%.

O elevado teor de óleo é uma das principais razões pelas quais o girassol responde tão bem à prensagem mecânica.

O Papel da Casca no Processamento

Diferentemente da soja, a casca do girassol exerce grande influência na eficiência da extração e na qualidade da torta produzida.

A decisão de remover ou não a casca depende dos objetivos da planta industrial.

Processamento com Casca

É o sistema mais simples e exige menor investimento.

Vantagens:

  • Menor custo de implantação;
  • Menor número de equipamentos;
  • Operação simplificada.

Desvantagens:

  • Maior teor de fibra na torta;
  • Menor teor de proteína;
  • Menor concentração de óleo na massa processada.

Processamento com Descascamento

Em plantas que buscam maior eficiência econômica, é comum remover parcial ou totalmente as cascas.

Vantagens:

  • Maior concentração de óleo;
  • Maior teor proteico da torta;
  • Menor teor de fibra;
  • Melhor valorização comercial dos produtos.

Desvantagens:

  • Maior investimento;
  • Necessidade de equipamentos adicionais;
  • Maior complexidade operacional.

Em plantas destinadas à produção de ingredientes proteicos para alimentação animal, o descascamento parcial ou total do girassol pode elevar significativamente o teor de proteína da torta e reduzir seu teor de fibra, aumentando seu valor comercial.

Equipamentos de Descascamento

  • Descascadores mecânicos;
  • Separadores pneumáticos;
  • Classificadores densimétricos;
  • Sistemas de aspiração.

Processo Recomendado para Girassol

As configurações mais comuns são:

Com Casca

Limpeza → Moagem → Cozimento → Prensagem

Com Descascamento

Limpeza → Descascamento → Moagem ou Laminação → Cozimento → Prensagem

Em algumas plantas modernas também pode ser utilizada a extrusão antes da prensagem.

Limpeza do Girassol

A limpeza é fundamental para evitar danos aos equipamentos.

São removidos:

  • Pedras;
  • Terra;
  • Restos vegetais;
  • Metais;
  • Impurezas diversas.

Equipamentos Utilizados

  • Moegas;
  • Elevadores de caneca;
  • Peneiras vibratórias;
  • Separadores magnéticos;
  • Sistemas de aspiração.

Moagem ou Laminação

Após a limpeza ou descascamento, o material pode seguir para moagem ou laminação.

Moagem

A moagem é a solução mais utilizada.

Os grãos são reduzidos em tamanho para facilitar o condicionamento térmico e a prensagem.

Equipamentos

  • Moinhos de martelos;
  • Moinhos de rolos;
  • Alimentadores dosadores.

Laminação

Em plantas maiores pode ser utilizada a laminação.

A matéria-prima passa por rolos lisos que produzem lâminas finas, aumentando a área de contato e favorecendo a extração.

Equipamentos

  • Laminadores;
  • Alimentadores;
  • Transportadores.

Cozimento do Girassol

O cozimento é a tecnologia mais tradicional para o processamento de girassol.

O aquecimento promove:

  • Redução da viscosidade do óleo;
  • Melhor fluidez durante a prensagem;
  • Coagulação proteica;
  • Melhor rendimento operacional.

Temperaturas normalmente utilizadas:

  • 80°C a 110°C.

Equipamentos Utilizados

  • Cozedores verticais;
  • Cozedores horizontais;
  • Caldeiras;
  • Sistemas de vapor.

Extrusão do Girassol

Embora menos comum que no processamento de soja, a extrusão também pode ser utilizada.

Suas principais vantagens são:

  • Aumento da eficiência da prensa;
  • Maior rompimento celular;
  • Menor tempo de processamento.

A escolha entre cozimento e extrusão normalmente depende da capacidade da planta e da estratégia operacional adotada.

Prensagem Mecânica

Após o condicionamento térmico, a massa segue para a prensa expeller.

O óleo é separado da fase sólida através da compressão progressiva do material.

Equipamentos Utilizados

  • Prensas expeller;
  • Gaiolas de prensagem;
  • Roscas compressoras;
  • Motoredutores.

Produção de Óleo de Girassol

O óleo bruto obtido apresenta excelente qualidade e elevado valor comercial.

Após a prensagem normalmente são realizadas:

  • Decantação;
  • Filtração;
  • Armazenagem.

Equipamentos Utilizados

  • Tanques decantadores;
  • Filtros-prensa;
  • Bombas;
  • Tanques pulmão.

Produção da Torta de Girassol

A torta de girassol é amplamente utilizada na alimentação animal.

Suas características dependem fortemente da presença ou ausência de casca.

Quando o descascamento é realizado, obtém-se uma torta com:

  • Menor teor de fibra;
  • Maior teor de proteína;
  • Maior valor comercial.

Rendimentos Típicos do Girassol

Para cada tonelada de matéria-prima processada, normalmente são obtidos:

  • Óleo bruto: 320 a 380 kg;
  • Torta: 500 a 600 kg;
  • Eficiência de recuperação: 80% a 85%.

Entre todas as oleaginosas processadas mecanicamente, o girassol apresenta um dos melhores desempenhos econômicos.

Aplicações do Óleo de Girassol

O óleo pode ser utilizado em:

  • Alimentação humana;
  • Produção de margarinas;
  • Biodiesel;
  • Cosméticos;
  • Produtos industriais.

Aplicações da Torta de Girassol

A torta é amplamente utilizada em:

  • Bovinocultura de leite;
  • Bovinocultura de corte;
  • Suinocultura;
  • Avicultura;
  • Fábricas de ração.

8. Extração de Óleo de Canola

A canola é uma das principais fontes mundiais de óleo vegetal de alta qualidade. Seu óleo possui excelente aceitação no mercado alimentício devido ao baixo teor de gordura saturada e ao perfil favorável de ácidos graxos.

Além do óleo, a canola produz uma torta proteica amplamente utilizada na alimentação animal.

Características da Canola

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 40% a 44%;
  • Proteína bruta: 20% a 25%;
  • Fibra: 10% a 15%;
  • Umidade de armazenamento: 8% a 10%.

A elevada concentração de óleo favorece a extração mecânica.

Processo Recomendado para Canola

As configurações mais comuns são:

Limpeza → Moagem → Cozimento → Prensagem

ou

Limpeza → Moagem → Extrusão → Prensagem

A escolha depende da capacidade da planta e das características desejadas para os produtos finais.

Limpeza da Canola

Devido ao pequeno tamanho das sementes, a limpeza possui importância ainda maior que em outras oleaginosas.

São removidos:

  • Terra;
  • Poeira;
  • Sementes estranhas;
  • Materiais metálicos.

Equipamentos Utilizados

  • Peneiras;
  • Sistemas de aspiração;
  • Separadores magnéticos.

Moagem da Canola

A moagem rompe a estrutura da semente e facilita a liberação do óleo.

Equipamentos Utilizados

  • Moinhos de martelos;
  • Moinhos de rolos;
  • Dosadores.

Condicionamento Térmico

A canola responde bem tanto ao cozimento quanto à extrusão.

Entretanto, deve-se evitar superaquecimentos excessivos que possam comprometer a qualidade do óleo e das proteínas da torta.

Prensagem Mecânica

Após o condicionamento térmico, a massa segue para a prensa expeller.

Rendimentos Típicos da Canola

  • Óleo bruto: 310 a 350 kg por tonelada;
  • Torta: 540 a 620 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 80% a 83%.

Aplicações do Óleo de Canola

  • Óleo comestível;
  • Margarinas;
  • Biodiesel;
  • Produtos alimentícios.

Aplicações da Torta de Canola

  • Nutrição de bovinos;
  • Nutrição de suínos;
  • Nutrição de aves;
  • Formulação de rações.

9. Extração de Óleo de Amendoim

O amendoim é uma das oleaginosas com maior teor de óleo disponível para extração mecânica.

Seu excelente rendimento faz com que seja uma das matérias-primas mais eficientes para plantas de prensagem.

Características do Amendoim

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 45% a 50%;
  • Proteína bruta: 22% a 30%;
  • Fibra: 5% a 10%;
  • Umidade de armazenamento: 7% a 9%.

Processo Recomendado para Amendoim

A configuração mais utilizada é:

Limpeza → Moagem → Cozimento → Prensagem

Em algumas plantas também é utilizada:

Limpeza → Moagem → Extrusão → Prensagem

Descascamento

Dependendo da qualidade desejada para os produtos finais, pode ser realizado descascamento parcial ou total.

O descascamento reduz a fibra e melhora a qualidade da torta.

Moagem

A moagem é normalmente preferida em relação à laminação devido às características físicas do amendoim.

Cozimento

O cozimento promove:

  • Redução da viscosidade do óleo;
  • Melhor fluidez;
  • Aumento da eficiência da prensa.

Temperaturas típicas:

  • 80°C a 105°C.

Prensagem Mecânica

A elevada concentração de óleo permite excelentes rendimentos durante a prensagem.

Rendimentos Típicos do Amendoim

  • Óleo bruto: 380 a 420 kg por tonelada;
  • Torta: 480 a 560 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 84% a 88%.

Entre as principais oleaginosas comerciais, o amendoim apresenta um dos maiores índices de recuperação mecânica.

Aplicações do Óleo de Amendoim

  • Alimentação humana;
  • Indústria alimentícia;
  • Cosméticos;
  • Produtos especiais.

Aplicações da Torta de Amendoim

  • Bovinocultura;
  • Suinocultura;
  • Avicultura;
  • Formulação de rações de alto valor proteico.

10. Extração de Óleo de Gergelim

O gergelim é uma das oleaginosas mais antigas cultivadas pela humanidade e destaca-se pelo elevado teor de óleo e pela excelente qualidade do produto obtido.

Seu óleo possui alto valor agregado, sendo amplamente utilizado na alimentação humana, indústria de alimentos especiais, cosméticos e produtos naturais.

Características do Gergelim

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 45% a 55%;
  • Proteína bruta: 18% a 25%;
  • Fibra: 5% a 12%;
  • Umidade de armazenamento: 6% a 8%.

O elevado teor de óleo torna o gergelim extremamente atrativo para a prensagem mecânica.

Processo Recomendado para Gergelim

As configurações mais comuns são:

Limpeza → Moagem → Prensagem

ou

Limpeza → Moagem → Cozimento Leve → Prensagem

Em muitos casos, a prensagem direta já apresenta excelentes resultados.

Limpeza

A limpeza remove:

  • Poeira;
  • Areia;
  • Restos vegetais;
  • Materiais metálicos.

Equipamentos Utilizados

  • Peneiras vibratórias;
  • Sistemas de aspiração;
  • Separadores magnéticos.

Moagem

A moagem facilita a ruptura das estruturas celulares e melhora o desempenho da prensa.

Prensagem

Devido ao elevado teor de óleo, o gergelim normalmente apresenta excelente comportamento durante a prensagem mecânica.

Rendimentos Típicos

  • Óleo bruto: 380 a 460 kg por tonelada;
  • Torta: 430 a 520 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 80% a 88%.

Aplicações do Óleo de Gergelim

  • Alimentação humana;
  • Óleos gourmet;
  • Cosméticos;
  • Produtos nutracêuticos.

Aplicações da Torta

  • Alimentação animal;
  • Ingredientes proteicos;
  • Formulações especiais.

11. Extração de Óleo de Linhaça

A linhaça destaca-se pela elevada concentração de ácidos graxos ômega-3, tornando seu óleo altamente valorizado nos mercados alimentício e nutracêutico.

Características da Linhaça

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 35% a 42%;
  • Proteína bruta: 18% a 25%;
  • Fibra: 20% a 30%;
  • Umidade de armazenamento: 8% a 10%.

Processo Recomendado para Linhaça

Limpeza → Moagem → Cozimento Suave → Prensagem

ou

Limpeza → Moagem → Extrusão Leve → Prensagem

A principal preocupação é evitar temperaturas excessivas que possam acelerar a degradação dos ácidos graxos.

Limpeza

Devido ao pequeno tamanho das sementes, a limpeza adequada é essencial.

Equipamentos Utilizados

  • Peneiras;
  • Sistemas de aspiração;
  • Separadores magnéticos.

Moagem

A moagem facilita a liberação do óleo durante a prensagem.

Condicionamento Térmico

O aquecimento deve ser controlado para preservar a qualidade do óleo.

Prensagem

A linhaça apresenta boa resposta à prensagem mecânica quando corretamente preparada.

Rendimentos Típicos

  • Óleo bruto: 260 a 330 kg por tonelada;
  • Torta: 560 a 650 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 75% a 82%.

Aplicações do Óleo de Linhaça

  • Suplementos alimentares;
  • Alimentos funcionais;
  • Indústria química;
  • Tintas e vernizes especiais.

Aplicações da Torta

  • Nutrição animal;
  • Ingredientes funcionais;
  • Formulações proteicas.

12. Extração de Óleo de Algodão

A semente de algodão é uma importante fonte de óleo vegetal e proteína para alimentação animal.

Historicamente, foi uma das primeiras oleaginosas processadas em escala industrial através de sistemas de cozimento e prensagem.

Características da Semente de Algodão

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 18% a 24%;
  • Proteína bruta: 20% a 25%;
  • Fibra: elevada devido à presença de línter e casca;
  • Umidade de armazenamento: 8% a 10%.

Particularidades da Semente de Algodão

A semente de algodão apresenta características bastante diferentes da soja e de outras oleaginosas.

Seu processamento normalmente exige:

  • Remoção parcial ou total do línter;
  • Controle adequado da umidade;
  • Condicionamento térmico eficiente.

Processo Recomendado para Algodão

Entre todas as oleaginosas apresentadas neste artigo, o algodão é uma das que tradicionalmente apresenta melhor desempenho com cozimento.

Fluxo típico:

Limpeza → Deslintamento → Moagem → Cozimento → Prensagem

Por Que o Cozimento Funciona Tão Bem?

O cozimento promove:

  • Melhor coagulação das proteínas;
  • Redução da viscosidade do óleo;
  • Maior fluidez da massa;
  • Melhor comportamento da prensa.

Por esse motivo, mesmo com a evolução das extrusoras, muitas plantas de algodão continuam utilizando cozedores verticais.

Equipamentos Utilizados

  • Deslintadores;
  • Moinhos;
  • Cozedores;
  • Caldeiras;
  • Prensas expeller.

Produção de Óleo de Algodão

O óleo bruto obtido normalmente segue para etapas posteriores de refino devido à presença natural de compostos como o gossipol.

Produção da Torta

A torta de algodão é amplamente utilizada na alimentação animal, especialmente para bovinos.

Rendimentos Típicos

  • Óleo bruto: 120 a 170 kg por tonelada;
  • Torta: 700 a 780 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 65% a 75%.

Aplicações do Óleo

  • Alimentação humana após refino;
  • Biodiesel;
  • Indústria química.

Aplicações da Torta

  • Pecuária leiteira;
  • Pecuária de corte;
  • Formulação de rações.

Deslintamento

O línter é uma fibra curta aderida à semente de algodão após o beneficiamento da pluma.

Sua remoção melhora a fluidez do material, reduz riscos operacionais e aumenta a eficiência das etapas subsequentes de moagem, cozimento e prensagem.

Além disso, o línter removido possui valor comercial próprio e pode ser destinado às indústrias de celulose, papel especial, produtos químicos e explosivos industriais.


13. Extração de Óleo de Mamona

A mamona possui um dos maiores teores de óleo entre as oleaginosas comerciais e é amplamente utilizada na produção de insumos industriais.

Seu óleo apresenta características únicas que o diferenciam de praticamente todos os demais óleos vegetais.

Características da Mamona

Valores normalmente encontrados:

  • Óleo: 45% a 50%;
  • Proteína bruta: 20% a 25%;
  • Fibra: 10% a 15%;
  • Umidade de armazenamento: 8% a 10%.

Processo Recomendado

Limpeza → Moagem → Cozimento → Prensagem

A mamona responde muito bem ao condicionamento térmico antes da prensagem.

Cuidados com a Ricina

A principal particularidade da mamona é a presença da ricina.

A ricina é uma proteína tóxica naturalmente presente na torta e exige cuidados específicos de manuseio e processamento.

Por esse motivo, a destinação da torta deve seguir critérios técnicos adequados.

Equipamentos Utilizados

  • Peneiras;
  • Moinhos;
  • Cozedores;
  • Prensas expeller;
  • Sistemas de exaustão.

Produção de Óleo de Mamona

O óleo de mamona possui características únicas devido ao elevado teor de ácido ricinoleico.

Por essa razão, encontra aplicações em diversos segmentos industriais.

Rendimentos Típicos

  • Óleo bruto: 350 a 420 kg por tonelada;
  • Torta: 450 a 550 kg por tonelada;
  • Eficiência de recuperação: 78% a 85%.

Aplicações do Óleo de Mamona

  • Lubrificantes especiais;
  • Cosméticos;
  • Produtos químicos;
  • Polímeros;
  • Indústria farmacêutica.

Aplicações da Torta

A utilização da torta exige avaliação técnica específica devido à presença de compostos tóxicos naturais.

Em muitos casos, sua principal aplicação ocorre como fertilizante orgânico.

Diferentemente das demais oleaginosas apresentadas neste artigo, a torta de mamona normalmente não é utilizada diretamente na alimentação animal devido à presença de ricina e outros compostos tóxicos.


14. Equipamentos de uma Planta Completa de Extração Mecânica

Embora existam diversas configurações possíveis, uma planta completa normalmente é composta pelos seguintes setores:

Recepção e Armazenagem

  • Moegas;
  • Elevadores de caneca;
  • Transportadores;
  • Silos.

Limpeza

  • Peneiras vibratórias;
  • Sistemas de aspiração;
  • Separadores magnéticos.

Preparação da Matéria-Prima

  • Moinhos;
  • Laminadores;
  • Descascadores;
  • Deslintadores.

Condicionamento Térmico

  • Cozedores;
  • Extrusoras;
  • Caldeiras;
  • Sistemas de vapor.

Extração

  • Prensas expeller;
  • Motoredutores;
  • Sistemas hidráulicos.

Processamento do Óleo

  • Tanques decantadores;
  • Filtros-prensa;
  • Bombas;
  • Tanques pulmão.

Processamento da Torta

  • Resfriadores;
  • Moinhos repicadores;
  • Silos de armazenagem.

A configuração definitiva depende da matéria-prima processada, capacidade desejada e objetivos econômicos da planta.

Recepção

Limpeza

Moagem ou Laminação

Cozimento ou Extrusão

Prensagem

┌──────────────┬──────────────┐
↓ ↓
Óleo Bruto Torta Gorda
↓ ↓
Filtração Resfriamento
↓ ↓
Tanques Armazenagem


15. Controle de Qualidade na Extração Mecânica de Óleo Vegetal

A qualidade dos produtos obtidos na extração mecânica depende diretamente da matéria-prima utilizada e do controle operacional da planta.

Pequenas variações na umidade dos grãos, temperatura de processamento ou regulagem da prensa podem impactar significativamente a qualidade final do óleo e da torta.

Por esse motivo, plantas industriais modernas realizam monitoramento constante dos principais parâmetros físico-químicos.


Controle de Qualidade do Óleo

Após a prensagem, o óleo bruto contém pequenas quantidades de partículas sólidas, água e compostos naturais da matéria-prima.

Os principais parâmetros analisados são:

Acidez Livre

Expressa normalmente em percentual de ácido oleico.

Valores elevados podem indicar:

  • Matéria-prima deteriorada;
  • Excesso de umidade;
  • Armazenamento inadequado;
  • Processamento inadequado.

Quanto maior a acidez, maiores tendem a ser as perdas durante o refino.

Índice de Peróxidos

Avalia o grau de oxidação inicial do óleo.

Valores elevados podem indicar:

  • Exposição ao oxigênio;
  • Temperaturas excessivas;
  • Armazenamento inadequado.

Umidade e Voláteis

A presença de água reduz a estabilidade do produto.

Óleos adequadamente filtrados normalmente apresentam baixos teores de umidade.

Impurezas Insolúveis

Representam partículas sólidas remanescentes após a filtração.

A presença excessiva de sólidos reduz a qualidade comercial do produto e acelera processos de degradação.


Controle de Qualidade da Torta Gorda

A torta é um dos principais produtos econômicos das plantas de extração mecânica.

Seu valor depende de diversos fatores.

Teor de Proteína

Quanto maior a concentração de proteína, maior tende a ser o valor comercial.

Teor de Óleo Residual

O teor de óleo residual influencia diretamente o valor energético da torta.

Dependendo da estratégia da planta, esse valor pode variar normalmente entre:

  • 6% e 14%.

Umidade

Umidade elevada reduz a estabilidade do produto e aumenta riscos de deterioração.

Granulometria

A uniformidade das partículas facilita transporte, armazenamento e utilização em formulações de ração.


Controle de Atividade Ureásica na Soja

No caso da soja, a atividade ureásica merece atenção especial.

Ela é utilizada como indicador indireto da eficiência do tratamento térmico.

Faixas normalmente utilizadas:

Atividade UreásicaInterpretação
Acima de 0,20 pHProcessamento insuficiente
0,05 a 0,20 pHFaixa adequada
Abaixo de 0,05 pHPossível superaquecimento

O objetivo é eliminar os fatores antinutricionais sem comprometer a qualidade das proteínas.


16. Consumo de Energia e Utilidades

O consumo energético é um dos fatores mais importantes na análise de viabilidade econômica de uma planta.

Os valores variam conforme:

  • Matéria-prima;
  • Tecnologia utilizada;
  • Capacidade da planta;
  • Nível de automação.

Consumo Elétrico

Uma planta de extração mecânica normalmente consome entre:

45 e 70 kWh por tonelada processada

Distribuição típica:

A prensagem normalmente representa a maior parcela do consumo elétrico da planta.


Consumo de Vapor

Quando a planta utiliza cozimento tradicional, torna-se necessária a geração de vapor.

Valores típicos:

50 a 70 kg de vapor por tonelada processada

A necessidade exata depende da matéria-prima e da tecnologia empregada.


Consumo de Água

O consumo de água é relativamente baixo em plantas mecânicas.

A maior parte da utilização ocorre em:

  • Caldeiras;
  • Limpeza industrial;
  • Sistemas auxiliares.

Ar Comprimido

Normalmente utilizado em:

  • Válvulas pneumáticas;
  • Sistemas de automação;
  • Instrumentação.

17. Balanço de Massa do Processo

O balanço de massa permite estimar os produtos obtidos a partir da matéria-prima processada.

Tomando como exemplo uma tonelada de soja comercial:

Entrada

  • 1.000 kg de soja.

Saídas Típicas

  • 120 a 140 kg de óleo bruto;
  • 760 a 800 kg de torta gorda;
  • Impurezas removidas na limpeza;
  • Água evaporada durante o processamento.

O balanço real depende da qualidade da matéria-prima e da eficiência operacional da planta.


18. Escala Industrial e Viabilidade Econômica

A extração mecânica pode ser economicamente viável em diferentes escalas.

Pequenas Plantas

Capacidade típica:

  • 0,5 a 2 toneladas por hora.

Normalmente utilizadas por:

  • Produtores rurais;
  • Pequenas cooperativas;
  • Fábricas de ração.

Plantas Médias

Capacidade típica:

  • 2 a 10 toneladas por hora.

Utilizadas por:

  • Cooperativas;
  • Agroindústrias;
  • Empresas regionais.

Grandes Plantas

Capacidade típica:

  • 10 a 15 toneladas por hora por linha.

Acima desse porte, muitas empresas começam a avaliar tecnologias complementares, incluindo extração por solvente.


Quantas Plantas Existem no Brasil?

Embora não exista um cadastro nacional específico para extração mecânica, estima-se que existam centenas de plantas operando no país.

Grande parte está concentrada nas regiões:

  • Sul;
  • Centro-Oeste;
  • Sudeste.

Os principais usuários são:

  • Cooperativas;
  • Fábricas de ração;
  • Agroindústrias;
  • Produtores de biodiesel.

19. Segurança Industrial e NR-12

A operação de plantas de extração de óleo envolve equipamentos rotativos, altas temperaturas e sistemas de elevada potência.

Por esse motivo, a adequação às normas de segurança é fundamental.


Principais Riscos Operacionais

  • Partes móveis rotativas;
  • Correias e polias;
  • Roscas transportadoras;
  • Superfícies aquecidas;
  • Sistemas de vapor;
  • Equipamentos sob pressão.

Medidas de Segurança

  • Proteções mecânicas fixas;
  • Chaves de intertravamento;
  • Botões de emergência;
  • Isolamento térmico;
  • Procedimentos de bloqueio e etiquetagem.

NR-12

A NR-12 estabelece requisitos mínimos para:

  • Instalação;
  • Operação;
  • Manutenção;
  • Segurança de máquinas e equipamentos.

O atendimento à norma reduz riscos operacionais e aumenta a confiabilidade da planta.


Considerações Finais

A extração mecânica de óleo vegetal continua sendo uma das tecnologias mais importantes para agregação de valor às oleaginosas.

Sua simplicidade operacional, menor investimento inicial e ausência de solventes químicos tornam o processo especialmente atrativo para cooperativas, fábricas de ração, agroindústrias e produtores rurais.

A escolha correta da matéria-prima, da tecnologia de condicionamento térmico e da configuração da planta influencia diretamente a rentabilidade do empreendimento.

Além da produção de óleo vegetal, a obtenção de torta gorda de elevado valor nutricional cria oportunidades adicionais de receita e integração com sistemas de produção animal.

Por esse motivo, a extração mecânica permanece como uma alternativa estratégica para diversos segmentos do agronegócio brasileiro.


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